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Cães na história


     Os pintores da pré-história inspiravam-se na caça, assim, nas paredes das cavernas foram entrados muitos cervos, bisões, javalis e renas. Com o passar do tempo houve uma evolução na escolha de temas e começaram a pintar o chacal e hiena. Por volta de 4.500 a.C. o homem começou a pintar o cão, claro que em representações de caçadas. Foi encontdo também o cabo de uma faca desta época em que se pode ver a representação de um cão usando coleira.
     Com a migração do homem, acompanhado pelo cão, e o desenvolvimento das civilizações começam a aparecer mais imagens caninas. No surgimento de novas raças os Fenícios devem ter contribuido muito, conhecidos como grandes mercadores da antiguidade é difícil não acreditar que os cães não fizeram parte de suas mercadorias.
Afresco micênico, 1400 - 1115 a.C.     Bronzes, afrescos, entalhes e outras formas de arte mostram o homem egípcio com cães quase idênticos com os galgos modernos, Mostram inclusive cães em ação. Cães mais pesados, tipo molosso, eram reproduzidos em cenas de batalhas. Aristóteles, filósofo e zoólogo grego, enumera várias raças caninas definindo-as com o nome do país de origem. Assim sabemos que em 300 a.C existiam cães cirineus, indianos, egípcios, epirotas, como não foi fornecida uma descrição precisa, não é possível indicar seus possíveis descendentes.
     As placas, encontradas nas casas de Pompéia, com a inscrição cave canem (cuidado com o cachorro) nos dizem que cães eram utilizados por aquele povo como guardiões. Normalmente molossos de grande estatura e dentes assustadores que ficavam confinados a uma corrente durante o dia e vagavam pela propriedade do dono a noite.
    Na Roma antiga os cães de caça eram tidos em grande consideração mas houve cães utilizados nas arenas, lutando contra outros animais ou enfrentando os escravos nelas lançados. Para as guerras haviam dois tipos: os cães de ataque e defesa, molossos equipados com coleiras de ferro com lâminas eriçadas, e cães de ligação, encarregados de levar mensagens entre tropas. Estes cães eram obrigados a engolir tubos de cobre contendo as mensagens e, ao chegar ao destino, era mortos para que a mensagem fosse recuperada.
Representação pictórica, séc XV      Na idade média começa a primeira especialização dos cães de caça: Os Bracos, destinados à busca da presa. Os Sabujos, destinados a descobrir os cervos. Os Lebréus, detinados a persegui-los e os Molossos destinados ao abate de bisões e ursos. Começa também o desenvolvimento dos primeiros terriers, ainda chamados de cães-castores mas já com a função de introduzir-se em tocas de raposas e coelhos.
Os cães ainda não abandonam as guerras (e jamais o farão, infelizmente) mas já começa a haver uma melhora no tratamento dado a eles. Surgem tratados para a boa manutenção do cão, as noções veterinárias eram ainda praticamente inexistentes e as crendices ada falavam mais alto: Acreditava-se que o sangue de um cão branco aplacasse a loucura e o sangue de um cão preto ajudaria uma mulher em trabalho de parto.
     Na época do renascimento os costumes se abrandam, cresce o interesse pelo cão de companhia. Possuir um belo cão passa a ser um tipo de esnobismo. A prática da caça continua mas já se desejavam cães de passeio ou companhia. As mulheres passam a dedicar afeto a pequenos cães de luxo. Cresce o número de raças em grande parte graças a realeza. Grandes pintores passam a retratar cães em suas obras, poetas e teatrólogos também experimentam o amor aos cães.
     No começo do século XX a popularidade canina cresceu ainda mais e continua a crescer até os dias de hoje. Imagens de cães são agora encontradas em todo lugar, camisetas, brinquedos, cartões de felicitações... passaram a fazer parte do dia a dia humano também no cinema, tv e na publicidade em geral.
     Vale a pena lembrar que desde a idade média a imagem do cão encontrou lugar de destaque nos brazões das grandes famílias, comparecendo assim, também na heráldica.